COMUQUIÉ????????

Pensa-se que ser sincero é dizer a verdade.. Se for assim, tudo bem, desde que se saiba o que é Verdade. Não existe, é um mito! Aprendi que porcelana é isolante, não conduz a eletricidade e agora é supercondutora… Não vamos entrar em filosofais pensamentos, mas a Verdade em si não existe: se referir-se à Realidade, danou-se, pois a Realidade é devir. Acabou de saber, já mudou… Aí a Verdade só se refere ao passado. É uma dificuldade enorme por este caminho, nem os filósofos sabem o que é Verdade a não ser a sua própria, ou então a transformam em uma merda e jogam no ventilador dos outros. Caraca, já pensou viver em um mundo em que não existe Verdade, principalmente depois que um religioso não assumido vestido de filosofo, Hegel, convenceu a todo mundo que há uma Verdade? E Absoluta? É uma bela duma bosta!

O mundo tem de ser certinho, tudo em seus devidos lugares e a Verdade é a arrumadeira dos camarins de cada um… A Verdade não existe! Se a Verdade se refere à Realidade, sim à Realidade, aquela que independe de sua presença no mundo, as coisas como elas são, então, a Verdade não existe: Ela não é, está sendo tal qual a Realidade, puro vir a ser, devir…

Putz meu, nós pobres mortais tamofú, intão? Tamo sim, mas tamo desde tão antigamente que alguém inventou o recurso: dizer a Verdade é dizer o que você pensa. Pô meu, faz isso não… cê se fróid todo! Primeiro, quem és tu pobre vivente para pensar que Verdade é aquilo que você pensa? Segundo, você pensa que se conhece, mas não se conhece, a gente se conhece só na superfície, na pele… Não nos conhecemos nas vísceras, na profundidade. Quando damos uma bela duma cagada na vida e levamos ferro nos iludimos pensando que pelo menos dissemos a Verdade. Verdade seja dita! Se a gente fala o que pensa, a gente fala a alguém que pensa e… pode ser este alguém fale ou não. Sá purquê? Se esta pessoa fala o que não pensa a gente diz logo, insincero; se fala o que pensa, a gente pensa que é sincera. Né nada disto… Falar o que se pensa é complicado, impede que você consiga concretizar o seu desejo. Se você desejar uma bala, ok, consegue, mas se desejar outro objeto-do-desejo-que-pensa, ô meu, vem cá, pensa bem… Você pensa que se entende sem se entender, diz o que pensa a uma pessoa que pensa que se entende sem se entender, cuméqui qui cês vão se entender? Quando a gente fala o que pensa para uma pessoa que a gente deseja, danou-se, e danou-se mesmo, mesmo quando ela deseja a gente. Então, o homem inventô uma solução: seja poético, metafórico, diga o que pensa sem dizer, quer dizer, de forma que possa depois negar que disse. Socê disser claro e reto o que pensa, cuméqui vai negá depois que disse? O discurso claro, é bem claro a todos, é uma discurso direto, diz o que tá dizendo e pronto. Socê fica meio obscuro, no lusco-fusco das palavras, dá pra assuntar o que o objeto do seu desejo tá pensando. Se num bateu, muda, pois falar poeticamente é dizer versos e há versos diversos, um não colou dá pra deslizar proutro sem que se perceba, ou finja que não se perceba caso também a pessoa estiver te desejando, mas… Se não estiver te desejando num tarás falando com ela, intendeu? Tá amando, meu, ou minha, não, minha não, minha-daquele-qui-tá-junto-concê, serve assim? Tá amando não seja sincero, seja poético, mas seja só poético, num mistura objetividade com subjetividade não que se fó. Amor é o encontro dos subjetivos, ficou objetivo… aí o sentido de “amor” muda para “sexo”, e não há nada mais objetivo que dizer “é tanto por hora, (ou por ora?) mais taxi de ida e vorta”, ou priguntá, quanté qui é?

Amor é poesia, e só… E até mesmo o que tanto se quer ouvir – eu te amo! – tem de ser deixado de lado. Eu te amo! tem como resposta “que queres tu de mim?”. Socê disser oh quanta falta fazes em meu viver! Preciso de ti para saber que existo! Aí pode até ser que seja entendido, se, e somente se, teu objeto do desejo estiver te desejando, mesmo qui num teje te querendo. Aí, cara, podes crer, se tivé sendo desejado recebes uma resposta bem diferente de vá te catar, pode escutar, nossa como sou importante procê, saiba que tu existe sim, gosto muito docê, tal qual gosto do meu amor, ah, ele existe um pouco mais quitú! Cuméquié bom tá amando!  Mas se tu tivé sendo desejado  e quirido escutará, oh Deus, eu existo!

 

Um pensamento sobre “COMUQUIÉ????????

  1. acheeei o artigo.
    gostei do jeito da escrita (regionalismo total nas palavras-quase um neologismo)
    E o texto? realidade. Gostei “Tá amando não seja sincero, seja poético”.
    Parabens e Obrigado mais uma vez.

    (Espero sua resposta pra o comentario viu-rsrsrs)

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