É PRECISO MUDAR, MESMO QUE VOCÊ NÃO QUEIRA!

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Ao longo de nossa existência, diariamente, vamos encontrando com os mais diversos tipos de pessoas: as felizes, as tristes, as de bem com a vida, as loucas, as descansadas, as desencanadas, aquelas que gostam de tirar uma casquinha, enfim, são vários os tipos. Mas, existe um tipo, que além de me chamar muito atenção, realmente, me preocupam, que são aquelas que dizem “EU SOU ASSIM E NINGUÉM VAI ME MUDAR!”. O que me preocupa, sinceramente, é que elas, normalmente, são muito resistentes às mudanças, sejam elas, as mudanças, quais forem: lá estão essas pessoas a expor as suas dificuldades, seus traumas, suas demandas, enfim, todo um arsenal de motivos, não só para justificar o jeito que elas são, mas também, o que , segundo elas próprias, as impede de mudar.

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Esses tipos de personalidades, normalmente, vêm acompanhadas de bons corações, de excelentes intenções, mas, infelizmente, elas sofrem e fazem os que estão ao seu lado, também, sofrerem! Aprender é mudar e, mudar para melhor, é sinônimo de desenvolvimento pessoal. E inevitavelmente, por auto iniciativa, ou por imposições da vida, a mudança acontece em nós, queiramos  ou não, um dia todos nós teremos que mudar, mas para essas pessoas, resistentes às mudanças, esse processo é um parto de cócoras e aí elas se debatem dentro de si mesmas. Mudar não é fácil, não, não é mesmo! É difícil, é um processo exigente, doloroso, lento, exigente e, por vezes, quando mais desejamos e necessitamos mudar algo, somos invadidos por um conjunto de obstáculos e auto-sabotagens, que nos retiram a nossa capacidade para efetivarmos a mudança desejada. As dificuldades de mudança fazem sentir-se, porque queremos defender a nossa imagem, aquilo que ao longo dos anos, experimentamos e vivemos sempre da mesma forma, apenas e tão somente, para termos uma noção positiva de nós mesmos, sermos amados e apreciados.

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Ter a noção que temos de mudar, é uma questão generalista, pode mexer com todo o nosso ser, retira-nos a capacidade, a responsabilidade, o respeito a nós mesmos, e como tal, coloca-nos no alvo da autosabotagem, da vitimização e do sentimento de culpa. É paradoxal, veja bem, como podemos mudar algo que não tem os valores suficientes para se mudar a si mesmo? De que serve um pobre pedir a um pedinte? Mas, sabiamente, Philip Pullman, nos brindou com uma breve e profunda frase: “Você não pode mudar o que você é, só o que você faz.” 

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O que estou querendo dizer com tudo isso, por mais paradoxal que possa parecer e sobre isso vários autores já discorreram sobre o assunto, é que as personalidades apontam para a mudança de nós mesmos como o primeiro passo a ser dado para a melhoria. Eu concordo com grande parte dessas frases, afirmações e ideias. O que temos que mudar, é a interpretação, taxativa, do que esse conceito nos transmite e igualmente, o impacto que essa leitura tem no nosso eu. O nosso eu é muito ao avesso e altamente resistente a qualquer tentativa, que se oponha a si mesmo. O nosso eu, dificilmente, é penetrável ao desdém, à renuncia, ao afastamento daquilo que somos, à humilhação, à critica. Perante este cenário, cada vez que, conscientemente, ou subconscientemente, recebemos a ideia de mudança de nós mesmos, tendencialmente, é tido como uma afronta à nossa pessoa, ao nosso amor, à nossa estima, à nossa consideração, orgulho e admiração, que temos de nós próprios. E desafiar-nos a nós mesmos, de forma perniciosa, certamente, fará o resultado ser um insucesso.

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O mais forte, o seu eu como um todo, vencerá a sua vontade de mudança de você mesmo. É como um sistema de proteção, que ocorre, automaticamente, perante a ameaça de invasão do seu eu. É isso que acontece! Por exemplo: Quando foi a última vez que você encontrou alguém e disse: “Olá, você pode, por favor, rejeitar-me? Sabe, é que eu realmente prospero e sinto-me, incrivelmente, bem sobre mim mesmo em ambientes de rejeição e de ódio. “

É lógico que isso não acontece e sabe por quê? Porque fomos feitos para o amor, para o afeto e a aceitação. Basta ligar o rádio e a televisão por dez minutos, para descobrirmos, que o coração humano está na fila da frente. Os filmes são centrados em torno dele, a nossa realidade, nos mostra que as pessoas procuram serem aceitas e amadas. Podemos confirmar isso no enorme impulso que as estrelas pop têm para cantar sobre o amor. O coração humano quer ser amado. Isso pode ser verificado desde o nosso nascimento, todos nós necessitamos de carinho, de afeto, da aceitação e de amor para que possamos desenvolver-nos de forma saudável e emocionalmente equilibrados.

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A ciência mesmo, nos prova diariamente, que os nossos cérebros funcionam melhor quando sabemos que somos amados. Por isso, me sinto muito seguro em dizer que, que por causa de pessoas magoadas e ressentidas ferirem outras pessoas, provavelmente, algumas não conseguirão sentir o amor e carinho que necessitam, independentemente do quão incrível os seus pais sejam ou possam ter sido. Nós somos seres imperfeitos, num mundo imperfeito e passamos aos outros, o que foi passado para nós, apenas isso! Quando não recebemos o amor necessário a um bom desenvolvimento, ou quando ele é pervertido e cruel, o nosso coração, pode sofrer traumas emocionais catastróficos. Um trauma pode instalar-se quando alguma coisa, ou algo que já lhe aconteceu, afeta a sua capacidade para lidar com a dor e a mágoa sentida, é superior à sua capacidade de gerar alegria. Daí é que surgem as pessoas “difíceis” que falei lá no começo desse artigo, entendeu agora?

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Partindo dessa ideia inicial, não pretendo ser radical, ao ponto de transmitir que nós não mudamos enquanto pessoas, ou que não podemos, ou não devemos mudar a nós mesmos. Nada disso! O que quero, efetivamente, dizer, é que para mudarmos a nós mesmos, deveremos seguir uma abordagem de sucesso e que possa ser pacificamente, aceita, sem que acione o nosso mecanismo de defesa e vá contra o impulso inato, que todos nós temos para defender a nossa imagem e nossa forma de ser. Por esta razão é mais sensato e mais proativo, comprometermo-nos em mudar somente alguns comportamentos em nós, do que usarmos a frase generalista: mudar a si mesmo.  No final, é isso que se pretende: mudar algo em nós mesmos e sempre para melhor. A melhor forma de mudar, com certeza, é mudar através da mudança de comportamentos, que é a forma melhor aceita por nós, pelo nosso interior. E isso não nos ofende interiormente, não nos diminui a nossa autoestima, nem faz emergir a frustração no nosso ego. Se perceber que gostaria de ser mais como o seu amigo, ou alguém de referência, que considera um modelo, não faça apreciações depreciativas acerca de você. Não se compare pela negativa. Nunca!

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Aprecie sim o que gostaria de ver em si mesmo e faça algo, que possa ser aproveitado nesse comportamento, da forma de ser, ou atitude que acha que vai poder beneficiá-lo. Faça o que os adultos deveriam fazer na educação comportamental aos seus filhos. Os pais devem manter o amor incondicional aos seus filhos, mesmo na hora da desaprovação ou repreensão. Por exemplo, se um pai quer reprovar um comportamento de uma criança pode seguir duas vias:

A positiva e construtiva: “O pai não gosta, que quanto você fique nervoso comece a dar pontapés nos seus brinquedos.” Isso é a desaprovação do comportamento.

A negativa e destrutiva: “O pai não gosta de você quando fica nervoso e dá pontapés nos teus brinquedos.” Que é a desaprovação da criança.

O primeiro exemplo é focado, apenas, no comportamento, o que é correto e assertivo. O segundo exemplo, é focado na criança e no seu amor por ela, o que é incorreto e destrutivo. Cada vez que a autoimagem, autoestima e autovalor é afetado negativamente, pelos outros significativos ou por nós mesmos, colocamo-nos em causa. Podemos questionar o nosso próprio valor enquanto pessoas e com isso, denegrirmos a imagem que temos de nós mesmos. Isto pode ter um duplo impacto negativo, pois bota-nos para baixo.

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Associamos a nossa desvalorização à incapacidade de mudarmos a nós mesmos, dado que nos sentimos “vitimizados” e, consequentemente, com uma justificação plausível para não conseguirmos melhorar os nossos comportamentos. Este ciclo negativo de desvalorização e justificação das incapacidades pode levar a pessoa a se manter “presa” em si mesma, fazendo sempre mais do mesmo, sempre igual, sem mudanças. Gera-se, aí, um conflito interno enorme. A pessoa sabe que tem coisas em si, que realmente, precisam ser mudadas, que necessitam da sua atenção e dedicação, mas sente-se impotente para fazer algo para sair dessa paralisação, isto porque, foi acostumando a olhar para si como alguém, que não consegue ser eficaz na mudança a que se propõe devido à sua baixa capacidade para tal. Este conflito interno é alimentado pela dupla desvalorização anteriormente referida.

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Em momentos, aonde chegamos à conclusão, que a mudança é necessária, essencial mesmo, torna-se primordial, que tentemos perceber se os nossos hábitos paralisam, ou potenciam a nossa vida. É importante manter o nosso amor, incondicionalmente, a respeito de nós mesmo! E isso não é um processo fácil, percebe? Para mudar a si mesmo de forma eficaz, assertiva e saudável, você deve manter o amor por você mesmo intacto. O auto-amor incondicional é autoprotetor e promotor de sentimentos positivos e atitudes positivas em favor de nós mesmos. Como pode ajudar-se a si mesmo se estiver contra você? Como pode mudar algo em si mesmo, quando a sua autoproteção foi antecipadamente ativada? Que credibilidade dará a si mesmo se não se autorespeitar? As respostas a estas questões são certamente pela negativa.

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Todos nós, necessitamos de um senso de autoestima e de autovalor para que possamos ajudar-nos a nós mesmos a mudar algo em nós. E a melhor forma de fazer isso, é não focarmos a mudança em nós mesmos, mas sim nos nossos COMPORTAMENTOS. Dado que os nossos comportamentos, são percepcionados como parte de nós e não nós mesmos. Evitando desta forma, que nos desvalorizemos, ou nos autodepreciemos enquanto um todo e aqui me refiro ao nosso Eu. Podemos mudar por duas razões principais. Primeiro, porque queremos eliminar, ou diminuir um comportamento indesejado, ou um mau hábito, ou porque queremos, implementar um comportamento novo, que nos permita uma nova perspectiva de poder mudar a vida para melhor. Em ambas as situações, a capacidade de liderar a nós mesmos, é uma ferramenta imprescindível para a obtenção de sucesso.

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Certifique-se que sabe o que pretende mudar, foque as suas forças e estratégias nisso e muna-se da força de vontade necessária para auxiliar-se nos momentos de provação. Atenção, a maior dificuldade em mudar algo que percebemos não nos servir mais, prende-se ao fato de termos recompensas associadas, nomeadamente recompensas cognitivas, situacionais, emocionais e físicas. Por outro lado, quando pretendemos implementar um comportamento, ou atitude nova, a maior dificuldade, prende-se  ao desconforto inicial e com a ausência de um retorno positivo imediato. Por este motivo, você deve estar bem ciente do que quer, porque quer, e qual o benefício à médio prazo. Trata-se da sua vida, então, por favor, melhore-a hoje mesmo!

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Para mudar algo, para implementarmos uma mudança, significativa, de forma efetiva, até que se torne parte de nós, é preciso aprender algo novo. E, para aprender algo novo, é necessário dedicar tempo a essa tarefa, é preciso praticá-la e persistir nela, um dia de cada vez, sem pressa, sem queimar etapas. É primordial traçar um objetivo suportado num planejamento e com passos bem definidos, que descrevam as ações a tomar. Essas ações devem estar definidas no tempo, serem específicas e acima de tudo dependerem APENAS de  você. Inevitavelmente a autoconfiança joga um papel importantíssimo em qualquer tipo de mudança que queiramos implementar em nós mesmos. Sem um senso de autoconfiança, ficamos à mercê das vicissitudes da vida e das nossas incapacidades, medos e fraquezas.

Certifique-se que desenvolveu a confiança necessária em si mesmo para poder propor-se ao desafio, que uma mudança comportamental exige. Por vezes, pode passar-se um calvário de pequenos avanços e recuos e os retrocessos podem ser desanimadores, enfraquecendo a força, que tanto necessita para continuar firme no seu caminho traçado. É exatamente nesses momentos de perda de ânimo, que a sua confiança deve impor-se às suas dúvidas, sofrimento, ou cansaço. Estando ciente, de que a mudança que pretende ver sedimentada irá desafiá-lo, por um lado, fazendo sentir algumas necessidades impostas pelos velhos hábitos e por outro, pela ausência de recompensa, imediata, no novo comportamento ou hábito, e sabendo, também, que necessita investir tempo e dedicação que permitirá modelar os comportamentos desejados, a sua autoconfiança irá promover o seu sucesso.

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Partindo do princípio de que não existem fracassos mais sim resultados, e estes podem estar de acordo com as suas expetativas ou não, importa focar-se no seu objetivo e ir verificando se os seus comportamentos estão a surtir efeito. Caso não estejam, não personalize, não avalie o resultado pela perspectiva da sua identidade, como se você fosse um falhado. Foque a sua atenção nas ações que não estão a ser eficazes e melhore-as. Reveja o que não funcionou e pense numa solução. Experimente novas formas de abordar o que pretende ver implementado, até que o resultado obtido seja satisfatório. Até lá, não avalie os seus resultados do ponto de vista do seu valor enquanto pessoa. Olhe para si como alguém que tem capacidade e habilidade para aprender com os erros e falhas, e seguir em frente. Estimule-se, incentive-se, motive-se até instituir em si mesmo o comportamento desejado. Nesse momento, você mudou a si mesmo, sem focar-se em mudar-se a si mesmo. Essa é a abordagem funcional e promotora de sucesso. E, entenda o seguinte: querendo ou não, desejando ou não, todos nós, temos que realizar mudanças, seja para manter uma amizade, uma sociedade, a harmonia  de um grupo, enfim, motivos para mudanças não faltam, o que falta é a vontade e a disposição de mudar!

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Sabe, um exemplo muito simples  do que falo é o seguinte: sempre que estamos fazendo pipoca, seguimos todos os procedimentos, aquecemos  a panela, escolhemos os melhore grãos e, mesmo assim, embora a grande maioria estoure lindamente, sempre ficam alguns, que resistiram à ação do calor e da pressão e preferiram continuar semente, não pipoca, que será degustada e apreciada por todos. Pense nisso! Mudar não é fácil, mas é necessário! Nada podemos fazer com o que fizeram de nós, mas podemos sim, fazer o melhor com aquilo que fizeram da gente!

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E segue ficha!

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2 pensamentos sobre “É PRECISO MUDAR, MESMO QUE VOCÊ NÃO QUEIRA!

  1. Suas palavras vieram como uma flecha certeira em minha direção, até parece que você sabe que estou travada no meu momento de mudança, me sinto presa a uma vida que já não me traz alegrias. Vivo sem estar vivendo, como um pássaro aprisionado numa gaiola, com comida e água a vontade, mas sem poder voar. Como cantava meu ídolo Renato Russo, ” …mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito “. Coincidência ou não me ocorreu que essa música se chama Clarisse. Tudo de bom prá vc Kleber, quem sabe um dia eu possa voar até você.

    • Obrigado pela sua visita e fico muito contente pelas suas observações, é muito bom saber, que de alguma forma, podemos ajudar as pessoas. Sara te abençoe abundantemente!

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