EU, 2015 E MEUS JOGOS VORAZES!

 

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Nas ultimas quatro semanas, entrei numa fase, bem daquele tipo, que não dá vontade de fazer nada… Nem de ser bonzinho, nem de ser malzinho, apenas, de não ser, literalmente, PORRA NENHUMA, tipo, passar desapercebido por todos os lugares e por todas as pessoas, não ouvir críticas, nem elogios, isso muito por conta de uma mudança interna, que estou passando de uma forma muito intensa e por esse período, que antecede a minha preparação para as análises de 2015, enfim!

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Desliguei de tudo, mandei muitas coisas e muitas pessoas se foderem, tomarem nos seus devidos cus, enfim, juntei todo o estoque de sentimentos acumulados, mal vividos e liguei a minha metralhadora, que dessa vez, não disparava flores, nem rosas, sem nenhuma culpa e sem nenhum remorso. Bom, eu estava vivendo uma fase intensa de mudanças espirituais, de buscas, de reformulação, de tirar tranqueiras de minha vida e, assim, fui seguindo, entre exames, consultas, doces e cigarros e dias que pareciam sem noites. Num desses dias, liguei a minha televisão e estava passando “Jogos Vorazes”, baseados nos livros, de mesmo nome, de Suzanne Collins.

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Demorei a resolver se assistia, ou não, o tal do filme, mas, apenas por puro preconceito, achando que se tratava de uma ficção científica, do tipo bem fraquinha, voltada para o público adolescente… Enganei-me, e, não só me enganei, como assisti ao primeiro, depois ao segundo e resolvi ler os livros e, caso você não tenha gostado, me dê um desconto e lembre-se de que não sou e nem pretendo ser crítico de cinema e foda-se a sua opinião a respeito, mas o fato é que gostei do bendito do filme, aliás, gostei muito mesmo! Não falo do estilo da autora, nem da direção do filme, nem de nenhum aspecto “erudito”, os quais não domino.

Jogos Vorazes - Net7Art

Refiro-me à ideia: a de uma crítica social e política feroz, irônica, ácida, de um futuro possível, que me fez pensar, inúmeras vezes, já se tratar de uma hipérbole do presente real. De maneira bem resumida: o mundo encontra-se dividido em distritos, cada um especializado na produção de um tipo de bem de consumo, com pessoas exploradas e à beira da miséria, todos subjugados, por uma Capital onde vivem os ricos, bonitos, posers, cultos e descolados, só que não, porque são bregas e fúteis, tomam comprimidos para serem felizes e vomitam a comida dos grandes banquetes para poderem comer ainda mais.

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Como eles têm tudo o que se possa comprar e já pouca coisa os diverte, o Governo, sediado na Capital, cria uma festa anual para relembrar a violenta derrota de uma tentativa de rebelião liderada por um dos distritos: todos os anos, cada distrito, tem que ceder uma garota e um garoto para o que chamam de “Jogos Vorazes”. Esses jovens, então, são reunidos em uma arena criada e controlada, virtualmente, para que lutem entre si, até a morte. Morrem 23, se não me engano, e resta apenas um, ou uma. Esse massacre, é transmitido, em tempo real, para todo o mundo, de forma, que os distritos, veem suas crianças e jovens serem assassinados, inclusive as mães, pais e familiares, enquanto os moradores da Capital, se deleitam com as estratégias criadas, o sangue derramado, as traições, deslealdades e conchavos. Bem coisa de nossa época, não é não?

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Claro que os melhores, ou seja, aqueles com mais potencial para matar os outros, recebem patrocínios de anunciantes. E todo ano acontece a mesma coisa, de forma, que os distritos, vivem na mais constante opressão, tensão e angústia, já que a qualquer momento, um de seus jovens pode ser sorteado para morrer. Mas, como não morrem todos e, sempre sobra um, isso mantém a esperança desses miseráveis em pé. E era, bem aí que eu queria chegar. Em um determinado momento do filme, o presidente global, Presidente Snow, interpretado por Donald Sutherland, é questionado, sobre porquê não ordena matar todos da arena, ao invés de permitir que um deles sobreviva, produzindo, assim, líderes. E então, ele explica, que permitir que apenas um sobreviva, mantém viva a esperança. E que controlar a esperança das pessoas, é o que permite que elas sejam manipuladas e conduzidas. Que sejam iludidas. Sem esperança, desiludidas, elas não se deixam conduzir. Elas não trabalham. Elas não produzem. Elas não sustentam os outros. Com esperança, elas se tornam dóceis e assim, ajudam a manter o que as oprime. Então, vamos raciocinar juntos um pouco a partir daqui? Isso não parece bem a cara do País em que vivemos?

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Se você tem esperança de que algo, ou alguém mude, está considerando esse algo, este alguém, intrinsecamente, capaz e desejoso de mudar. Acontece, que nem tudo e nem todos querem, de fato, mudar. Ou, nem tudo e nem todos, possuem a capacidade de mudar. Às vezes, mudar vai contra seus próprios interesses. Se, ainda assim, você mantém sua esperança de mudança acesa, você está em um único estado: iludido. Concorda? 

Assim, quando dizemos que estamos tristes, magoados e desesperançosos, porque nos desiludimos, porque vivemos uma séria desilusão, estamos em um estado de inversão das coisas. Estamos vendo as coisas pelo lado errado… Tendo força e clareza necessárias para colocar a dor de lado, a visão clara do que resta, nos aponta não para a tristeza, não para a desesperança, mas para uma coisa muito valiosa: o contentamento, a satisfação, a gratidão. A tranquilidade e paz de espírito, que vem de se conhecer a verdade, de não ser mais enganado, de não ser mais vilipendiado, ou usado para fins outros, que não o bem comum. Estar feliz por ver a realidade tal qual ela é. Ainda que doa, ainda que produza cicatrizes, conhecer e aceitar a realidade, a verdade, são algumas das poucas, coisas deste mundo, que verdadeiramente, nos libertam.

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E, olha, eu não estou sendo nada original ao dizer isso. Gente muito graúda e relevante já disse isso e já disse faz tempo. Bachelard, por exemplo. Ele foi um filósofo francês, nascido em 1884 e morto em 1962. Bachelard, é conhecido por ser “o filósofo da desilusão”. Ele diz, com muita sapiência: “Somos o limite das nossas ilusões perdidas”. E isso não tem uma conotação pejorativa, muito pelo contrário, é algo altamente libertador. Nós somos, não o que sabemos, não o que vivemos, mas, tudo aquilo que desconstruímos ao longo de nossa vida. Tudo aquilo que, tendo sido uma vez ilusão, tivemos a capacidade de desiludir e tornar realidade.

Somos frutos da desilusão. De tudo aquilo, que hoje sabemos a partir do que antes julgávamos saber, e que não existia, ainda que acreditássemos de todo coração existir. Eu entendo, que você prefira evitar a dor mantendo-se iludido. Entendo, caso esteja querendo manter-se iludido, para evitar o grande trabalho que dá promover a mudança necessária a partir do ponto em que se desilude. Entendo verdadeiramente! Porém, saiba: você não está vivendo a sua vida. Está vivendo a vida que querem que você viva. Está sendo enganado, menosprezado, subjugado. Está confiando em algo, ou em alguém, que está apenas usando a sua confiança para receber benefícios, ou usar aquilo que você pode proporcionar a ele.

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Você e sua esperança, estão sendo alimentados, para produzir o que é importante, não para você, não para sua liberdade. E no fim, só um sobreviverá. E suas chances, assim iludido, lutando assim de olhos vendados, são muito poucas… Ter esperança de que algo, ou alguém, mude para melhor não basta! Achar que basta é tornar-se refém. Um refém cego, lutando em um campo de guerra e sem qualquer chance de sobrevivência. Esperança, podem acreditar, só é útil, quando de mãos dadas com a própria mudança… E a mudança, só é possível em uma instância: a da pessoa.

É Individual, é sua! Só você pode mudar! Você não pode mudar o outro, ainda que queira muito. Mas, veja, pode mudar a si, e isso já é um Universo. Mudar a si mesmo, envolve enxergar seus pontos falhos, suas tristezas, suas sombras, tudo aquilo do que você se envergonha em si próprio, e que já negou, e que já fingiu não existir. Enxergar tudo isso, acolher tudo isso e, enfim, mudar. Mesmo que aos poucos, isso dói, claro que dói! Mas é uma dor necessária, pois te liberta. Liberta de amarras, das vendas e das ilusões.

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A mudança coletiva, se faz a partir de muitas mudanças individuais. A célula de poder da mudança coletiva, é a pessoa. E essa pessoa é você! Se você se sente, ou sentiu, em algum momento, desiludido em qualquer área da sua vida, seja, amorosa, relacional, profissional, em termos dos conhecimentos que julgava possuir, sobre ser mãe, ser pai, ser sujeito de construção do mundo, por favor, faça as pazes com essa sensação.

A desilusão é amiga. Ela te conta umas verdades… Ela te diz tantas coisas, que você não queria saber. E só os amigos, os bons amigos, lógico,fazem isso. E isso, de se dizer o que não se quer saber, é das coisas mais insubstituíveis no caminho de nossa emancipação. E de posse de uma nova verdade, ou de uma faceta dela, a liberdade é conquistada. A autonomia é construída. Desilusão, como quebra da ilusão, é  como nascer, é como quebrar a casca de um ovo que te impedia a visão do mundo real.

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Falei tudo isso até aqui, para estabelecer uma reflexão, que fala sobre mães, sobre pais, sobre filhos, sobre escolhas e a quebra das ilusões. Fala sobre o parto, sobre a violência contra a criança, contra os nossos sentimentos e outras formas de desilusões. Minha vida deu guinadas tão inacreditáveis, nessas últimas quatro semana, que passei a respeitar um pouco mais os roteiros rocambolescos desses filmes. E, quanto mais me abro às mudanças de rumo, às possibilidades, ainda que nesse momento, remotas e, até mesmo aos sonhos impossíveis, percebo, que novas guinadas podem vir a acontecer, ou a murchar, como se fossem ondas no mar. Inclusive, porque, desistir é uma arte e faz parte da vida, tanto quanto lutar. Acho que é uma consequência natural: a gente se abre pra vida, a vida vem! Simples assim!

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Houve uma época, em que eu tinha todo um futuro esquematizado na cabeça, mas o tempo foi passando, enquanto a realidade parecia me empurrar para outros caminhos, porque, por mais que eu me esforçasse, aquele roteiro que eu tinha traçado para mim, estava longe de se concretizar. Um dia, entendi que ela, A VIDA, tem mais imaginação que eu… E aceitei que precisava aprender a “deixar pra trás”: Amizades infrutíferas, sonhos, projetos que não se realizam, sentimentos que não evoluem, processos que não alavancam, convivências impossíveis, promessas que não se concretizam… Aprendi a deixar para trás. Aceitei que, talvez, meu destino esteja em outro lugar… Sem deixar-me cair na armadilha de crer no “destino traçado”, porque, é aí, que se esconde o perigo de, simplesmente, não agir, não buscar, não desistir, não partir pra outra. Mas, é preciso reconhecer que, da mesma maneira, que algumas coisas parecem fazer uma força danada para acontecer, outras, simplesmente, não acontecem! Em alguns casos, portanto, desistir, pode ser uma atitude sábia, em vez de covarde… E que exige muita força, porque desistir dói e dói muito!

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Mas entenda, que o desapego, muitas vezes, é a melhor alternativa, inclusive para que a vida flua, em vez de tornar-se cada vez mais estéril, ou frustrante. Deixar para trás, nos liberta e nos abre portas, inimagináveis, para destinos que, antes, nos pareceriam impossíveis. Aprenda a seguir adiante, e com as mãos vazias, para que possa enchê-las de novo…  Novas amizades, nova carreira, novos sonhos, relacionamentos, oportunidades e todo o resto que faz a vida ser maravilhosa estão ao nosso alcance por toda parte, mas às vezes, a gente precisa, antes de estender a mão e agarrar o “novo”, fazer uma REFORMA ÍNTIMA e ajustar o foco do nosso olhar sobre nós mesmos: abrir o coração e a vontade, para receber o dia e o que ele trouxer na bagagem e usar a inteligência, para entender que, para mudar as coisas e o rumo dos acontecimentos, temos antes que mudar a nossa cabeça e desprogramar aquelas ações e reações destrutivas, que trazemos gravadas em nós, sem que nos demos conta: “Eu não mereço”. “É demais pra mim”. “Não pode ser verdade”. “Ah, se eu pudesse…” “Não consigo”. “Felicidade é para os outros”. “Fulano é fdp”. “A vida é dura”. “O ser humano é mau”. “Desconfie sempre”.

Temos que nos desarmar, porque não estamos em combate com a vida: ela de um lado no ringue, e nós do outro, lutando para impor nossa vontade diante de um inimigo perigoso de modo que não precisemos desistir de nada. Sei que não é fácil mudar nosso olhar e nosso comportamento, ou deixar de brigar com a vida e com as pessoas. Mas, só assim conseguimos, de fato, abrir mão do que não frutifica, por mais que nos pareça impossível, e mudar o plantio, cultivar outro futuro.

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Viver um namoro com o tempo, com o mundo. Deixar pra trás o lema de que a vida é uma batalha. A gente tem que abraçar a vida e fazer amor com ela. Assim, desiludir-se, desapegar-se, deixar para trás, é uma dádiva. Uma bênção! Então, seja bem vindo ao mundo do desiludido, aquele em que ilusão não tem mais espaço. Aqui não é muito confortável, mas há verdade!

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E a verdade nos liberta.

Vai por mim! 

Nos vemos assim que terminar as análises de 2015

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