GENTILEZA GERA GENTILEZA…E PAULOS TAMBÉM!

Durante a minha mudança, precisei fazer a solicitação de troca de endereço e a Oi (leia-se: problemas, dor de cabeça, stress,gerúndios latifundiados, operadores inoperantes) precisaria de três dias para que todo o processo fosse concluído, incluindo a Velox. O prazo expirou e, após uma semana de centenas de protocolos, dias seguidos ouvindo as(os) atendentes com o uso abusivo e completamente, hoje, absorvido pelos sistema de call centers, eu já estava achando normal o uso do gerúndio instituído como modismo linguístico. Isso sem falar, evidentemente, sobre alguns, que além do vou “estar lhe encaminhando”, “vou estar lhe direcionando”,  “o senhor estrá sendo direcionado” ainda vinham acompanhados de um sotaque cacofônico mineiro…Nada contra o sotaque mineiro, acho charmoso, desde que ele não me atrapalhe no entendimento e isso se transforme num grande problema de comunicação, pois em alguns momentos, me parecia “estar falando” um dialeto aborígene, aonde eu não entendia nada  e não me fazia entender.

Todo esse processo foi se derramando por uma semana e, numa noite, quando eu já pensava em desistir, ou trocar de operadora, o que na hora me parecia mutíssimo apropriado, apesar de saber que os problemas só mudariam de código e eu correria o sério risco de ficar mais tempo sem internet, que é o meu maior instrumento de trabalho e quem, efetivamente, me sustenta. Então, já meio sem fe, já acreditando que precisaria de ajuda espiritual, que algum espírito de luz trouxesse minha net de volta, pois até isso já existe, já se baixa  e se recebe santo pelo sistema(é só um clique!), fui fazer mais uma tentativa e, pasmem, fui atendido dessa vez por uma voz tranquila, firme , segura do que está me informando. Pensei: Isso é puro marketing! É mais um protocolo que vou ter que anotar e para a minha surpresa, o rapaz, começou a fazer testes e perguntas que ainda não me haviam sido feitas…Entre um “desconecta o moldem”,” retire, por favor senhor, todos os conectores””,  “aguarde 10 segundo”s, “ligue novamente senhor””, fomos seguindo assim, até que todas as instrumentações fossem feitas. Ao final, de quarenta e cinco minutos e eu, sem mais nenhuma esperança de ter o serviço de volta e ele, com todos os recursos esgotados,  afinal, a minha internet havia sido abdusida por algum ser que eu e ele desconhecíamos… E,  apesar do balé digital que havíamos dançado juntos durante todo esse tempo (metade de uma partida de futebol!) eu sentia da parte dele, uma sincera e profunda vontade de resolver o meu problema e durante esse ínterim, em nenhum momento ele alterou a voz, ou mostrou cansaço, ou a vontade de desisti, coisa que já havia acontecido comigo, logo nos 25 minutos iniciais. Eu estava convecido, piamente,  de que terminaria mais um dia sem a Velox, mas a extrema vontade dele era legítima, quase contagiante e eu, que uso e tenho uma relação bastante íntima com essa dita operadora, me vi obrigado a acreditar que eu estava lidando com um profissional verdadeiramente empenhado em me ajudar e isso me chamou mais atenção do que propriamente, atingir meu objetivo. Eu estava diante de uma pessoa, REALMENTE, disposta a resolver, a ajudar, a cumprir o seu trabalho e isso me tocou muitíssimo, aja visto que eu já havia passado por 22 atendentes que não apresentavam nenhum escrúpulo, nenhuma culpa no mal atender. Ele não, ele estava ali, genuinamente tentando, foi quando eu perguntei o seu nome e ele me respondeu: Meu nome é Paulo Roberto senhor!

Naquela hora me senti tão valorizado, tão bem atendido, tão explicitamente auxiliado que me vi na obrigação de ser grato e gentil com ele e , não sei de onde, surgiu a vontade de elogiar  seu atendimento, a sua presteza, então falei: Olha, Paulo, tem dois anos e meio que utilizo o serviço de vocês e, apesar de você não ter resolvido o meu problema, você , de longe, foi o melhor atendimento que já tive o longo desses anos!

Seguiu-se um silêncio demorado da parte dele e, agora já com uma voz quase tímida, ele me agradeceu e em seguida, finalizamos  o nosso Apocalipse Digital. Eu fui dormir, afinal já eram duas e trinta da manhã e ele foi seguir a sua rotina.

Às seis da manhã o meu telefone tocou e do outro lado, uma voz pedia para falar com o Kléber. Em seguida,  um pedido de desculpas, pois não são permitidos retornos a clientes. Ele, O Paulo, explicitou: Kléber, ontem quando o senhor me disse aquelas palavras, eu estava sem nenhum ânimo de continuar trabalhando aqui na empresa, estava infeliz, triste, abatido, vivendo uma separação litigiosa e hoje, com certeza, seria o meu último dia aqui. Mas, após ouvir as suas palavras, que acreditei serem sinceras, eu tomei um novo fôlego e resolvi  manter o meu trabalho, apesar de todas as limitações que ele me oferece! Muito obrigado! As suas palavras foram bastante incentivadoras e a partir de hoje, eu serei o melhor naquilo que faço, apesar de todas as intempéries a que estamos expostos! Muitíssimo obrigado!

Após isso, ele desligou e , dessa vez, quem ficou sem palavras fui eu e , não consequindo mais voltar a dormir, fiquei imaginando em quantas vezes uma palavra pode fazer a diferença, quantas vezes uma palavra pode e tem o poder de levantar, ou de derrubar alguém.

Fiquei imaginado em quantas vezes nós somos Paulo.Em quantas vezes, nós aceitamos ser Paulo. Em quantas vezes poderíamos ser Paulo e nos negamos, por cansaço, por medo de expor, por egoísmo, enfim, pelos mais variados motivos.

Dessa forma, quem me ensinou muita coisa com as suas palavras, foi ele, o Paulo, o seu agradecimento me fez entender, definitivamente e sem nenhuma  dúvida, o poder que uma palavra pode ter sobre o dia, a vida e as coisas de uma pessoa, de um ser humano. Nesse caso, em específico, o efeito foi positivo, mas poderia não o ser e aí já viu…

Desde aquela manhã, nunca mais eu perdi a oportunidade de agradecer, de mostrar a importância das pessoas e de suas coisas em sua passagem pela minha vida. Tenho agradecido mais, tenho sido mais atento, mais fiel aos momentos e, principalmente, mais generoso, o  que pela lei da causa e efeito, tem me trazido coisas muito bacanas, uma vez que gentileza gera gentileza, como dizia o Profeta!

Mas e você? Quantas vezes tem sido Paulo? Quantas vezes se negou a ser Paulo? O que tem feito do Paulo que habita em você? Você tem excercitado o seu Paulo interior?

Espero que você não perca nunca, nenhuma oportunidade de exercer a sua gentileza e, pesar de parecer utópico e ser um clichezão, acredite: GENTILEZA GERA GENTILEZA!

P.S: Desde esse dia precisei do atendimento Oi duas vezes e, dias depois fiquei novamente sem a internet e desde então, a Oi tem me dispensado atenções e gentilezas que me surpreenderam, chegando a ligar e perguntar se eu estava sendo bem atendido. É, gentileza gera gentileza!

 

 

 

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