PARA FALAR A VERDADE, EU FICO COM A PUREZA DAS RESPOSTAS DAS CRIANÇAS..

Hoje,  caminhando por uma rua, passei na porta de uma escola e veio uma menina correndo e como sua mochila estava muito pesada, terminou caindo feio no chão, bem na minha frente. Ela muito sem graça, pois os seus amiguinhos estavam fazendo chacota de seu tombo e eu fui ajudar a levantá-la e, ao me ver, ela me fez a seguinte pergunta, de forma séria e sisuda: Quem você é?

Eu fiquei totalmente sem resposta com uma pergunta assim, feita sem maldade e de uma forma muito direta e passei o dia todos com essa pergunta em minha mente: Quem sou eu?

Eu até agora responder para mim mesmo que eu sou eu não consegui encontrar uma resposta, mas e você, saberia me responder? Sabe, nunca somos iguais… Essa é a maior verdade que existe… O que fomos, ontem, não seremos hoje e, muito menos, amanhã. Estamos em um constante processo de mudança, de hibridização. Isso eu acho que seria a minha melhor resposta: somos Híbridos!

A cada novo dia, carregamos novas perspectivas, novos sonhos, novos objetivos… Objetivos, disso é feito o homem: de objetivos!

O homem se constitui através dos objetivos que traça. É na incerteza do alcance desses objetivos que se percebe a finitude do homem. Saber quais os objetivos movem as pessoas a tomarem certas atitudes, talvez nem tanto, mas o fato, é que isso torna mais fácil a compreensão de quem estas pessoas são. Não busque entender as pessoas, esta já é uma luta perdida, pode ter certeza! Comece a entender a si mesmo, e perceberá quão mais fácil é entender as pessoas, ou simplesmente, aceita-las!

Observando as crianças, podemos ver como elas são verdadeiras e sinceras. Como lutam pelo que querem, como têm objetivos traçados e bem definidos, como não se deixam desanimar com as dificuldades. Observei isso com essa menina, que ajudei a levantar e, sinceramente, até agora me pergunto o que ela quis, realmente, me dizer com isso, mas deu para perceber, que mesmo no meio das lágrimas elas ainda conseguem esboçar um sorriso.

Veja como elas apresentam sábios conselhos aos mais velhos, ou ainda, como são encantadoras e ao mesmo tempo uma caixinha de surpresas. Deixam de lado os preconceitos, amam-se e amam aos outros, independentemente da forma ou da intensidade. São felizes e para elas é isso que realmente importa: Ser feliz… Para falar bem a verdade, eu sempre me achei muito sincero, mas hoje, diante dessa menina, eu pude ver que ainda preciso me esforçar e muito para atingir esse nível e eu, vi, de verdade, que nem sempre fui tão sincero assim…

Me privei, muitas vezes, do que era real em busca de um sonho inatingível, também, privei a outros de saberem o quanto eram importantes para mim, ou o quanto eu os desprezava… Sempre levantei a bandeira do “Falem a verdade acima de tudo”, mas hoje, depois desse encontro com essa menina, penso em quantas vezes deixei de falar o que sentia por medo, ou por preocupação com o efeito que minhas palavras causariam. Já deixei de ser feliz e, talvez, até fazer outras pessoas felizes por medo de falar. Simples assim!

Meu olhar é transparente, com certeza, nele se refletem meu amor e meu ódio, mas quantos sabem decifrar olhares, ou melhor ainda, quantos se preocupam com os pequenos detalhes? Às vezes, me pego pensando em todas as coisas que não disse…  Já tive paixões nunca assumidas, e o único amor que invadiu meu ser, jamais foi vivido até o fim… Já deixei de contar o quanto estava magoado com amigos e amigas, com medo de que eles não me perdoassem, mas se eles eram meus amigos de verdade, certamente me perdoariam…

Já chorei escondido, por vergonha de assumir minhas lágrimas. Já ri calado, com receio de parecer idiota. Já me decepcionei comigo mesmo, já amarguei sofrimentos, e, quantas vezes, cheguei a tomar ar para falar e apenas engoli em seco cada uma das palavras que pretendia jogar ao vento. Eu hoje, me propus, então, a falar mais, sabe, deixar que as palavras voem soltas e tomem forma e sentido… Estou lidando com os monstros que povoam minha mente, e liberando, uma a uma, as minhas ideias.

Preciso ainda reunir coragem, para falar coisas que nunca falei… E superar os efeitos que virão depois, mas, sinceramente?

Eu fico com a pureza das respostas das crianças!

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