SIMPLIFIQUE: NO FINAL TUDO VIRA BOSTA!

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“É difícil compreender e amar o que é espontâneo e franciscano. Entender o difícil não é vantagem, mas, amar o que é fácil de se amar, é uma grande subida na escala humana. Quantas mentiras sou obrigada a dar. Mas, comigo mesma é que eu queria não ser obrigada a mentir. Senão, o que me resta”?

Clarice Lispector

2_26Na semana passada tivemos um jantar aqui em casa, um encontro descompromissado, apenas e tão somente, para nos sabermos mais um dos outros e juntar conhecimento, um petit comité. Já fazia muito tempo, que eu sentia essa necessidade de compartilhar minhas coisas e, bom, o jantar foi ótimo, o vinho suave e, pelo menos para mim, o papo foi excelente. Depois de lermos algumas coisas, cada um seguiu sua noite, da forma que lhe era mais conveniente!

tumblr_lhv1rn9nYK1qeglbnEu, ainda sem sono e com algum vinho por beber, resolvi ficar mais algum tempo comigo e terminei agarrando num livro da Lispector e numa das páginas já lidas, uma mensagem me chamou a atenção e, detalhe, esse mesmo livro eu já tinha lido duas vezes, (será que era efeito do vinho a nova interpretação?), bom deixa para lá…
Bom, mas vamos ao que eu li e que nunca tinha observado dessa forma. Num determinado momento, Clarice Lispector diz:

“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma ideia, ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição, dessas que não falham, às vezes, erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto, posso controlá-los. […]
Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E, também, tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

tumblr_li8ht0K0af1qetidro1_500Bom, eu sou Ariano, com ascendente em sagitário e lua em Gêmeos, então, lógico que muitas vezes já fui, extremamente, impulsivo ao longo de minha vida, aliás, impulsivo não, um verdadeiro reator de sentimentos e emoções, mas isso o tempo e a vida se encaminharam de consertar, se é que alguma coisa havia para ser consertada, pois essa foi a época mais interessante de minha vida, foi o máximo!
Mas, hoje, sinceramente, eu tenho certeza, de que ser impulsivo, é diferente de ser espontâneo, mas a confusão é comum… Aliás, ser si mesmo, ser autêntico dá muito trabalho e, normalmente, termina-se colecionando uma legião de fãs contrários, quero dizer, inimigos mesmo… Então, eu tive que aprender a duras penas e pedradas, que é preciso consciência e enfrentamento, pois os limites são muito tênues!

tumblr_mpi0s8WOzO1r6d2o1o1_500Agir por impulso é dispensar a razão, esquecer o outro e dar vazão para uma série de sentimentos e ideias, que pulam para fora e se fazem acontecer sem muita responsabilidade. Os resultados só são medidos, depois, e, as consequências, nem sempre são boas. O famoso “ops, só pensei depois”… O problema é que, nesse caso, aquele que, normalmente, cometeu a ação, acaba tendo que lidar com o impacto dela seja ele qual for. E, nós, que damos o start, esperamos extrema compreensão, afinal, quando agimos sem pensar estamos nos colocando de forma sincera e, sinceridade é uma virtude, não é mesmo? Mas, será mesmo?

tumblr_inline_mm37pvvsHh1qz4rgpTodo mundo tem suas questões, suas dificuldades, um lado bonito e outro feio, banda linda, banda podre, qualidades e defeitos, que são difíceis de lidar. Será que temos que obrigar os outros a lidar, também, com os nossos?

tumblr_lih5z737861qe432lo1_500Não estou fazendo apologia ao individualismo, ao contrário, estou reconhecendo, sinceramente, que derramar sobre os outros as nossas energias, sem nenhum cuidado, é, além de egoísmo, um ato de desrespeito a si mesmo. Quando nos desresponsabilizamos de nossas ações, estamos nos abandonando e vamos, aos poucos, esquecendo que as escolhas são nossas.
Daí, então, nós nos sentimos submetidos, as vítimas! Sim, coitadinhos de nós, não é mesmo? Frases como “sou sincero demais e isso incomoda as pessoas”, ou “hoje não se pode ser quem se é porque a sociedade não permite” tornaram-se clichês, coisas comuns.

A questão, pessoal, é que ser espontâneo é diferente de ser irresponsável! Ser espontâneo é agir com naturalidade, sem as amarras da vaidade, sem a necessidade de dissimular, de esconder aquilo que não nos agrada. É agir sem medo do julgamento alheio, mas com respeito a opinião do outro. Ser espontâneo é ser SI mesmo, com consciência e liberdade, porque a espontaneidade implica em estar, confortável, com aquilo que se é. É um “poder ser” livre, consciente, JUNTO, NO MUNDO!

andando_pelo_mundoQuando convivemos com uma pessoa espontânea, podemos não nos afinar com o jeito dela, mas é inegável seu brilho, pois nos inspira confiança, verdade. Podemos nos aproximar, sem medo, porque, não há uma tentativa de esconder alguma coisa. Simplesmente é e pronto! É conseguir ser coerente, dentro da incoerência dos outros. Simples assim?! Hahahahaha! Com certeza não! Pelo menos, não para mim…

tumblr_lp0302TILL1qccbxro1_500Não sei de onde veio essa ideia de que existir é fácil, basta nascer e deixa a vida correr seu curso rumo a felicidade no final do arco íris, aquelas coisas que nos enfiam goela abaixo ao longo de nossa “EDUCAÇÃO”…
O problema, gente, é que existir, exige esforço, dedicação, muitas noites mal dormidas, muitos sapos a serem digeridos, muitas serpentes atravessadas nos caminhos e, principalmente, existir, exige ter que aprender a reconhecer um bom diamante, no meio de tanto caco de vidro, não é fácil, mas é preciso!

111No mais é a gente que confunde e complica as coisas. Exige demais, cobra demais, espera demais, se dedica demais e isso gera cobranças, expectativas, mudanças de planos e, sabe, tem uma hora, que é preciso simplificar, pois como canta a Rita Lee: “No final tudo vira bosta!”

Simplifique!

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