AS (IN) UTILIDADES DO WHATSAPP DENTRO DA ESPIRITUALIDADE

 

Com o nascimento da geração dos smartphones e cada dia chega mais uma, as pessoas estão a cada dia mudando mais a estrutura de alguns comportamentos, especialmente em relação aos nossos relacionamentos. Hoje, dificilmente, você consegue ter e manter uma conversa, por no mínimo, meia hora com alguém, que, muitas vezes, era muito próximo seu, que conversava com você, que te visitava para um bom cafezinho, mas que, com a entrada do WHATSAPP, essa relação foi se diluindo, até não passar de troca de sinais, mensagens, fotos, textos muito mal elaborados e mensagens que são lidas de forma truncada, o que causa briga, desentendimentos, fuxicos e uma má interpretação daquilo que, realmente, foi dito. Há de se ter atenção!

Eu estudei em um colégio de freiras ao longo de 16 anos, em um tempo aonde, aos sábados, se ia para se ter aulas de etiquetas, para aprender como usar um talher e saber que é o copo que vai à boca e não o contrário e, nisso, a Madre Superiora era incrível! Pois bem, naquela época, tínhamos que ler um livro por semana e entregar uma interpretação daquilo que havíamos lido e entendido, desta forma, pude ter uma excelente professora de interpretação de texto, que era exigente e que nos fazia entender, que, a ausência de uma vírgula, ou o uso errado dela, poderia trazer sérias consequências, desta forma, fico, hoje, horrorizado com muitas coisas que recebo no meu WHATSAPP…  Pois é, eu também tenho um! Pelo menos por enquanto…

Hoje, as pessoas costumam perder mais tempo usando esse aplicativo durante a sua permanência no restaurante, seja fotografando as comidas e eu mesmo já caí nessa besteira de ficar fotografando comidas e bebidas para publicar no Facebook. Outros publicam no Instagram, enfim, cada um publica aonde quer! Isso é que nem cú, cada um sabe o que faz com o seu… Fiz isso até me dar conta COMO É RIDÍCULA essa nossa necessidade de APARECER. E é ridícula, porque demoramos a nos dar conta que na verdade, ninguém está muito a fim de saber onde você está, ou o que você está comendo, por mais lindo que seja. E quando sabem, é mais provável que sintam aquela invejinha, do que uma real felicidade pela sua felicidade. E se você publica coisas para os outros, realmente, sentirem inveja de você, então, certamente você está precisando de ajuda psicológica…

Novos hábitos e novas tecnologias são importantes sim, mas, desde que surjam para facilitar as nossas vidas e não nos afastar do convívio íntimo, dos olhos nos olhos, que eu ainda considero importante. Vejo pessoas que vão à sua Santa Missa aos domingos e o seu aparelho está lá, dentro de suas bolsas, vibrando feito uma coisa louca, enquanto o padre, se esforça para seguir com a Missa. Sabe, estou vendo a hora de que cada um irá escolher a sua paróquia, formar seu grupo e a liturgia ser realizada, ali mesmo no aplicativo, só não sei de que forma será feita a comunhão, mas vai que…

Francamente, eu não consigo entender, como que na hora que você vai buscar Deus, a sua espiritualidade e, bummmmm, lá vibra o bendito aparelho. Imediatamente a pessoa se desliga e pensa: “deve ser alguma mensagem do GRUPO, deve ser a minha amiga, minha vizinha me zapeando”, aí senhoras e senhores eu pergunto: NESSE MOMENTO, AONDE VAI PARAR A FÉ E A CONCENTRAÇÃO DE VOCÊS?

Aqui, no ESPAÇO HOLÍSTICO ODARA, eu tenho tido vários problemas com esses novos hábitos. As pessoas saem de suas casas, de seus trabalhos e sabem que aqui, no ESPAÇO, tem alguns procedimentos a serem realizados, mas, isso passa a ser secundário diante desse aplicativo. Fico eu, tentando passar o meu conhecimento e lá estão as pessoas com a cara enfiada no negócio e, muito delicadamente, pedem para que eu espere um minutinho. Francamente, eu me pergunto o que elas vieram fazer aqui? Por que saíram de suas casas, gastam tempo, combustível, para virem gastar a minha paciência e sinceramente, eu já estou começando a querer banir isso da minha vida!

Acho, de verdade, que esses novos e esquisitos hábitos podem ser divididos em dois: a desatenção com o outro e a necessidade de atenção do outro. Desatenção, eu vejo como o modo como preferem ater-se aos seus celulares, mesmo quando estão numa ocasião espiritual. Isso revela seu individualismo e, também, sua impaciência com os assuntos alheios e para ouvir e aprender com os outros. E, muito provavelmente, revela sua dificuldade de verbalizar, qualquer comentário inteligível e, de aprender, meramente, pois muita coisa deixa de ser entendida, porque não foi DEVIDAMENTE, ouvida. Já tive um caso aqui de uma pessoa ser internada, isso mesmo, INTERNADA, por uso excessivo de celular. No Caso ele tinha dois, então, eram dois WHATSAPPS, vários grupos e no final do dia um vazio completo. Não entendo como alguém pode estar praticando o sagrado, fazendo as comidas sagradas e parando para atender o ZAP. Olha, acho muito mais interessante, colocar no YOUTUBE e ouvir músicas que sejam pertinentes ao momento.

Existem pessoas que o dia está começando e lá está ela lendo notícias negativas, coisas que não vão acrescentar nada ao seu dia e sequer fazem um Pai Nosso para agradecer ao Universo a graça de mais um dia de vida com saúde e por aí segue!

Nesse sentido, o celular e seus aplicativos, se tornaram a grande bolha de proteção entre as pessoas e o mundo. Mais uma forma de fuga, enfim. Eu entendo isso, como vício em ser idiota, porque a mensagem que se passa é a seguinte: Aí, como eu sou moderno e tecnológico e ansioso e não vivo sem meu celular, o que não passa de uma grandiosíssima frescura, porque o sujeito tem que ser muito fraquinho, ou ter muita falta de educação, ou nenhuma, pra não conseguir compreender as situações em que está e ter o bom senso de largar o bendito celular para dar um pouco de atenção para aquele que está disponibilizando o seu tempo, para passar conhecimento e ensinamento. Já vi gente por aí dizendo que essa é a doença do nosso tempo: A RIDICULITE.

A RIDICULITE, é a necessidade de atenção extrema, que vem com um sintoma muito grave, que é o TRÂNSITO e, os portadores dessa doença, por outro lado, sempre estão pouco dispostos a doar sua atenção para os outros, nunca largam a necessidade de se exibir para os outros. E este hábito, ou carência de atenção, pode se desdobrar em outros sérios eventos.

Bom, todos nós gostamos e sentimos essa necessidade psicológica de compartilhar o que estamos sentindo, ou pensando e mais: todos nós sentimos essa necessidade de nos sentir valorizados, seja pelo que temos, pelo que somos, pelo que sentimos, ou pelo que pensamos. O problema reside nos excessos. Tipo, a pessoa não consegue redigir uma opinião qualquer, com começo meio e fim, mas vive o tempo todo compartilhando fotos: de si mesmo (a), do filho, do cachorro, do gato, da comida, da bebida, da festa, da viagem. Coisas que fazem muito sentido para si, mas quase nenhum para todos os outros contatos de sua rede social preferida. Então, volta-se àquela questão antiga: A pessoa quer atenção, mas não se toca que deve, primeiramente, oferecer algo de valor de si mesma. É gente querendo demais e dando de menos, muitos exigindo, mas com muito pouco a oferecer de si.

 

Falta conteúdo, sobra vontade de aparecer. Noção de prioridade, excessos e bom senso, repito: o problema está nos excessos. Compartilhar qualquer assunto desses, de vez em quando, é perfeitamente natural e legal até. Mas encher a timeline alheia de si mesmo, na verdade enche o saco dos outros a não ser que:

01 – Você seja muito bonito (a);

02 – Você seja inteligente e tenha o que dizer;

03 – Você tenha bom gosto e compartilhe coisas realmente legais; da mesma forma a atenção ao celular, que é perfeitamente legal e uma grande distração para momentos em que se está sozinho, esperando alguma coisa e etc.

Mas, a minha dica é a seguinte: Se alguém estiver por perto, essa pessoa é a PRIORIDADE, nem que seja um mendigo. Se essa pessoa estiver falando com você, largue o celular, imediatamente. Ele, o celular e as besteirinhas que estão sendo compartilhadas, podem esperar. Aja como gostaria que agissem com você, que eu tenho CERTEZA que gosta muito que lhe ouçam quando está falando.

De repente você pode perder excelentes oportunidades de aprendizado e conhecimento, além, do que, interromper uma pessoa que está ali na sua frente, para lhe ensinar aquilo que você, ainda, não sabe, não é uma atitude nobre. E quem não é nobre com a questão ESPIRITUALIDADE, não será mais com nada nessa vida!

 

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