SÓ DE MAL!

 

“Sal grosso para os invejosos, que o recalque tá demais”!

Adriene Araújo

A minha vida sempre foi norteada pelas coisas que eu penso saber fazer bem, pelo meu esforço e pela boa vontade, que sempre tenho em fazer as coisas exageradamente corretas e com um padrão meu, que fui imprimindo em meu trabalho e que hoje me orgulho muito, que é trabalhar por excelência… Eu nunca deixei que minha vida fosse contaminada por qualquer benesse que viesse e que não fosse devida, mesmo tendo convivido com o poder, ou com as “pessoas de poder” desde muito cedo. Sempre acreditei, que tudo que eu tenho, tudo o que construí, me será tirado, no dia da minha volta à Casa Do Pai, desta forma, sempre acreditei que tudo é temporário e emprestado, do pó eu vim, ao pó eu voltarei. Não sou pessoa de grandes apegos materiais e por isso, sempre me achei livre dessa coisa chamada INVEJA.

Sempre que eu entro em minhas redes, vejo comentários de homens, mulheres, jovens, sobre inveja…Que a amiga tem inveja, que o colega de trabalho tem inveja e por aí segue a lista de reclamações sobre esse assunto. Quando a Valesca Popozuda lançou o seu grande sucesso BEIJINHO NO OMBRO, eu comecei a ver, que sim, havia algo de real nesse sentimento coletivo, afinal, até virar tese, essa música virou…Pois bem, eu comecei a verificar e prestar uma maior atenção a esses acontecimentos, nos atendimentos que faço aqui no ESPAÇO e infelizmente, mesmo tendo evitado de todas as formas, crer, que meus insucessos não derivavam da inveja alheia, até porque eu não achava, mesmo, que eu tinha o que ser invejado, hoje eu vejo que sim, a inveja existe e existem pessoas aí, que estão se comportando como verdadeiros animais selvagens, como búfalos furiosos em cima de meu sucesso, de meu trabalho. Sabe, existem acontecimentos, coisas tão obvias, que surgiram em minha vida, que me fizeram rever essa postura. Pois é!

Então, hoje a coisa está assim: por mais que você pense que não tem o que ser invejado, certas pessoas não admitem, jamais esperam, ou suportam, que você sequer cresça um pouquinho que seja. A autoestima desse tipo de pessoa, que eu hoje classifico como “PESSOAS DE QUINTA”, se fundamenta sobre a superioridade, que acreditam ter sobre nós. Pois é, sobre você, sobre cada um de nós, que já acredita que não tem motivo para ser invejado…

Essa gente, meus amigos, precisa escolher melhor seus parâmetros de comparação… Algumas pessoas até querem te ver bem, mas no fundo, elas nunca aceitarão que você esteja, ou seja, nunca, melhor que elas. Sabe, a verdade, é que elas não fazem por mal, é apenas uma questão de condicionamento psicológico mesmo, a criatura que sempre esteve “melhor” que você e que se habituou a essa condição, vai estranhar qualquer sucesso que você venha a apresentar e que possa pôr em risco o status quo, isto é, que possa inverter as posições de sempre. E pior: a criatura que sempre esteve por baixo, pode estranhar a nova condição de sucesso, e se sabotar para voltar ao lugar que, inconscientemente, ainda pensa pertencer: o chão. É natural!

São padrões psicológicos, que nos esforçamos para manter, inconscientemente. É como um escravo que, uma vez liberto, continua servindo ao antigo Senhor, já que não sabe e nem nunca foi orientado para saber, o que fazer consigo mesmo. E o pior, não é o suposto invejoso, e sim você, no caso, nós, que temos uma fraqueza para essa questão.

Eu sempre fui uma pessoa abençoada, fui uma criança, muito amada, muito querida, depois de adulto, conseguir manter longas e boas amizades ao longo dos anos. Gente verdadeira, pessoas que se espelhavam em mim. Sempre desconsiderei e fugi dessa coisa de inveja, de azar e, talvez, tenha sido esse um dos meus maiores erros… Por acreditar que sempre posso me refazer, que sempre posso me reinventar, eu desconsiderei essa coisa da inveja, principalmente das pessoas muito próximas, que disfarçadas de bons amigos, na verdade, não passavam de cães raivosos, prontos a me atacar, perdendo, até mesmo o bom senso e o critério social de suas responsabilidades, então, com esse tipo de gente, nem amuletos funcionam, elas são sempre muito disfarçadas, sempre te pegam desprevenido, de coração aberto. É assim que funciona!

Hoje, eu penso, que, quando você começa a fugir do que tem medo, no caso, do azar, da inveja, esses sentimentos começam a aparecer de todos os lados, de pessoas que você ajudou, que você levantou, que pena! Então, por mais que você, que está lendo isso aqui, ache que a inveja não exista, eu lhes garanto, ela existe sim! Sim, talvez você se pense invejado (a), mas o suposto invejoso não está nem aí para você, que segue com a neura da inveja. Como disse no início, eu evitava crer que pudesse ser invejado, porém, a prova de que eu estava errado, é que se eu evitava, é porque volta e meia, me pegava com remorso por ter falado demais a respeito dos meus sucessos com quem se sente desconfortável com eles.

Como bom Ariano que sou, sempre tive essa necessidade de reconhecimento e afagos verbais, os quais acabavam fazendo com que eu demonstrasse o que os outros não gostariam de saber. Sabe, parece melhor bastar-se e parar de buscar por elogios e reconhecimento.

A lição que tirei desse último acontecimento, pode ser bem melhor resumida por esse raciocínio atribuído a Einstein, mas, que muito provavelmente não, é dele: Se A = sucesso, então A = X + Y + Z, onde X = trabalho, Y = lazer e Z = boca fechada. Se você não banca sua exposição, NÃO OSTENTE! FIQUE QUIETO! Se possível, minta, para garantir. Diga que está quase pedindo esmola na rua. Pode ter certeza, essa gente vai dar saltos de alegria. Fica a dica!

Uma coisa é certa, meus caros, contra a inveja e o mau-olhado, apenas uma coisa lhe garante TOTAL proteção: A FIRMEZA DE ESPÍRITO e sobre isso, eu já comentei: Se você NÃO BANCA sua exposição, não se exponha! Entretanto, se você se banca, isto é, se consegue permanecer, inabalável, em suas crenças, alegrias e sucessos, mesmo diante de questionamentos, ironias e opiniões contrárias, poderá certamente estar mais à vontade quanto a compartilhá-las….

É o caso de grandes líderes, costumeiramente bem-sucedidos. Opiniões contrárias e questionamentos, simplesmente, não abalam sua fé. Nossa vulnerabilidade à inveja alheia se resume a uma questão de fé e confiança em nós mesmos. Que a maioria de nós não têm em quantia suficiente, isto é certo!

Nossa sorte, é que não é tão difícil fortalecermos essa fé e essa confiança em nós mesmos: basta permanecermos com o espírito firme, isto é, concentramo-nos cada vez mais, em nós mesmos, em nossa vida e no que estamos fazendo. Basta, enfim, pararmos de dar atenção à vida dos outros e à possibilidade de estarem nos invejando, ou não…

O problema entre o invejoso e o invejado, é que ambos, ficam preocupados e dão mais atenção ao outro, do que a si mesmos. Embora costuma-se reclamar da inveja como uma ação externa prejudicando a si, isto é, sob uma postura de vítima da maldade alheia, a verdade, é que o problema nunca é o invejoso, mas sim, o indivíduo invejado, que dá mais atenção ao invejoso, dando ouvidos a ele e ficando inseguro com suas manifestações de inveja. Porque no fim, é a própria insegurança daquele que se sente invejado, que o derruba. Sobre a natureza do mau-olhado, o que alguns chamam de quebrante, olho grande, não passa do conhecido mau-olhado. Acredito que o mau-olhado não seja, necessariamente, um tipo de energia negativa que mandam para nós. Embora em alguns casos, muito poucos, quando o invejoso faz isso intencionalmente, desejando o seu mal, é, de fato, uma energia negativa enviada. Mas, na maioria dos casos, não é!

A coisa é mais simples, porém não menos atuante. Você entende melhor o que é mau-olhado, quando lê o texto do Stephen Kanitz sobre o poder da validação. A validação positiva sobre nós, ou sobre nossos resultados, através do reconhecimento e do elogio alheio, poderia ser considerada um bom olhado. Tem a ver, também, com as bênçãos.

O bom olhado seria um olhar positivo e engrandecedor vindo de quem consideramos. É o olhar que demonstra, que estamos certos e legítimos do jeito que estamos. O mau-olhado, por sua vez, é um olhar questionador e diminuidor. É o olhar que critica sua posição e o leva a duvidar da validade de si e de seus feitos, trazendo profunda insegurança. Por conseguinte, o mau-olhado seria uma desvalidação. Percebe isso?

Funciona assim: você chega todo contente para um amigo, contando sobre uma promoção que você ganhou no trabalho, e ele, em vez de lhe parabenizar e ficar contente com seu sucesso, surge com algum questionamento, qualquer, ou alguma recomendação de cuidado: Parabéns, legal mesmo! Mas cuidado com os obstáculos que vai enfrentar daqui prá frente é assim que funciona.

Vocês não têm noção de quanta gente vai querer puxar o seu tapete. Eis um exemplo de desvalidação, isto é, um exemplo de mau-olhado. Todo um contentamento e uma satisfação são questionados por expectativas negativas do outro que, entenda, não necessariamente não gostou do seu sucesso, mas que foi infeliz ao despejar sobre a sua felicidade, toda uma série de questionamentos que, talvez, ele mesmo tenha passado. Na intenção de alertá-lo (a), termina jogando um balde de água fria na sua empolgação, não soube ser agradável. Não soube ser gente de primeira, não soube ser amigo, foi GENTE DE QUINTA!

Então, o que podemos observar, é que maus-olhados e invejas, são muito mais frequentes do que pensamos, e também, muito menos intencionais do que se acredita. O que tem de gente que nos ama e que vive manifestando maus-olhados sobre nós, sobre nossa vida e nossas realizações… Mas, por mais que sejam, sempre, bem-intencionados e essa é uma das principais características dos invejosos, não são menos perigosos.

Então, agora vocês me deem licença, que vou ali tomar um banho de sal-grosso e arruda. Só de mal!

music valesca popozuda beijinho no ombro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Maus-olhados, inveja e o silêncio

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