Você sabia que ser NORMAL é uma patologia?


“Se sou louco?
Não, magina, apenas não sou normal, só isso”!

Normose é um conjunto de hábitos considerados normais pelo consenso social que, na realidade, são patogênicos e nos levam à infelicidade, à doença e à perda de sentido na vida. A Normose é a patologia da normalidade e, como dizia Jung, “só aspira à normalidade o medíocre”, porque nós não estamos aqui para a normalidade, nós estamos aqui para realizar para fazer uma diferença. 
Segundo alguns psicólogos a Normose seria um conceito de filosofia para se referir a normas, crenças e valores sociais, que causam angústia e podem ser fatais, em outras palavras “comportamentos normais de uma sociedade que causam sofrimento e morte”.Dessa forma os indivíduos, que estão em perfeito acordo com a normalidade e fazem aquilo que é socialmente esperados acabam sofrendo, ficando doentes, ou morrendo por conta das normoses. É comum justificar a manutenção de um comportamento não saudável por ser normal, algo que “todo mundo faz”, porém, essa justificativa é falaciosa e acaba apenas perpetuando uma sociedade cheia de normoses.
Assim nasceu o conceito de Normose, que, segundo eles, “ocorre quando o contexto social que nos envolve caracteriza-se por um desequilíbrio crônico e predominante”. A normose torna-se epidêmica em períodos históricos de grandes transições culturais , quando o que era normal, subitamente, passa a parecer absurdo, ou até desumano. Foi o que aconteceu no final do período romano, em relação à perseguição de cristãos, ou no início da Idade Moderna, com o fim da legitimidade da Santa Inquisição, ou no século 19, com a perda de sustentação moral da escravidão. É o que está acontecendo de novo, com a crise dos nossos sistemas de produção, trabalho e valores.
É o vírus da “Normose”, que aliena grande parte de nossa sociedade. A Normose, segundo o psicologo, filosofo e teólogo Jean-Yves Leloup, um dos pioneiros da psicologia transpessoal da Europa, caracteriza, principalmente, pela ambição desvairada, o desleixo e mesmo a extinção do princípio da ética, princípio este, que, aliás, era o que pautava a construção dos valores de uma sociedade, e, portanto direcionava as mais variadas formas de relacionamentos. 
É a doença de normalidade, que cria em nós, muitas vezes, uma cumplicidade com fatos que, a princípio e por princípios aprendidos, não concordamos. A Normose faz as pessoas acreditarem que o fim justifica os meios, sejam eles quais forem, chegando-se muitas vezes a adotarem comportamentos que antes julgavam patológicos. 
A Normose, ignora a sensibilidade e o respeito ao outro. A Normose faz a pessoa acreditar naquela horrível frase eu gosto de levar vantagem em tudo, mesmo que para isso ela esteja prejudicando o outro. O doente da normalidade é egoísta e extremamente perigoso para o bem da humanidade.
“A Normose pode ser considerada como o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar, ou de agir aprovados por um consenso, ou pela maioria de pessoas de uma determinada sociedade, que levam a sofrimentos, doenças e mortes. Em outras palavras: que são patogênicas ou letais, executadas sem que os seus autores e atores tenham consciência da natureza patológica.”  Pierre Weil
As convenções sociais, muitas vezes, não passam de uma epidemia induzida com o intuito de manipular as mentes e os corações que, um dia, foram livres, como muito bem traduz este trecho do poema Eu sei, mas não devia, de Marina Colasanti: 
“Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito, para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.”
O grande mal decorrente dessa patologia, é que ela destrói o bom senso e a capacidade de percebermos os absurdos presentes na lógica da construção social vigente. 
Os parâmetros éticos se alargam e tudo passa a ser aceito de acordo com a ótica do senso comum: o silêncio do cúmplice diante do erro do outro, a cultura da esperteza, a lógica de que os fins justificam os meios, a destruição do meio ambiente, o descaso com a vida humana, a corrupção, a competição enfurecida, a estética da violência, a opressão dos mais fracos. 
Estamos doentes!
Padecemos de Normose!
Fomos infectados pelo vírus da indiferença e perdemos completamente a nossa capacidade de indignação e, principalmente, de reação, pois a Normose nos leva a uma ingenuidade crédula que gera uma subserviência à opinião de terceiros, tornando-nos alvos invisíveis da manipulação social. 
Segundo o professor Hermogenes: “o ser humano está sofrendo de Normose, a doença de ser normal. Todo mundo quer se encaixar em um padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de se alcançar. O sujeito “normal” é magro, alegre, belo, sociável e bem-sucedido. Bebe socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está passando por algum problema. Quem não se “normaliza”, quem não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo. “
A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras doenças psicossomáticas e transtornos do comportamento afetivo.
A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas? 
Não existe ninguém batendo à sua porta e exigindo que você tenha um determinado comportamento, ou seja, assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata, que ganha presença através de modelos de comportamento amplamente divulgados. 
Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos, então, melhor se preocupar em ser você mesmo. 
A normose estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. 
Precisamos de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar? 
Para a Filósofa Dulce Magalhães, que escreve sobre mudanças de paradigmas, o normótico acredita que geração de renda e falta de tempo para si ou para a família são indissociáveis. “As pessoas consideram que trabalhar muitas horas, colocar em risco sua saúde e suas relações é normal”, diz ela. “Mas isso tem um custo pessoal e social alto demais, que acabam levando a problemas de saúde pública e violência, por exemplo.”
Dulce acha que a cura para a Normose está em mudarmos de modo mental, abandonando o modelo da escassez, que hoje rege o mundo, e abraçando o da abundância. Ela explica: “Desde a infância, aprendemos que o que vem fácil vai fácil e que, se a vida não for difícil, não é digna. Precisamos mudar isso e entender que esforço não é tarefa.” Quantos de nós chegamos em casa reclamando para mostrarmos (a nós mesmos e aos outros) que trabalhamos muito e tivemos um dia duro, como se isso trouxesse algum tipo de mérito?
Cada um de nós tem talentos diversos, mas “o normótico padece de falta de empenho em fazer florescer seus dons e enterra seus talentos com medo da própria grandeza, fugindo da sua missão individual e intransferível”. “Quando temos necessidade de, a todo custo, ser como os outros, não escutamos nossa própria vocação”.
“Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida ao seu modo. Criaram o seu “normal” e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. Não adianta tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais. Eu me simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam para remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Para mim são os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações. Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é porque a alma lhes é iluminada.  Pois divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes. ” – Professor Hermogenes
Há na maioria dos nossos contemporâneos uma crença bastante enraizada. Segundo esta, tudo o que a maioria das pessoas pensa, sente, acredita ou faz, deve ser considerado como normal e, por conseguinte, servir de guia para o comportamento de todo mundo e mesmo de roteiro para a educação.
Certos fatos e descobertas recentes sobre origens do sofrimento e de doenças e sobretudo sobre as guerras, a violência e a destruição ecológica estão a contestar e questionar seriamente a normalidade de certas “normas” ditadas pela sociedade através dos consensos existentes. Está se descobrindo que muitas normas sociais atuais, ou passadas, levam, ou levaram ao sofrimento moral, ou físico ou mesmo de indivíduos, de grupos, de coletividades inteiras ou mesmo de espécies vivas. 
Esta pesquisa de ponta alerta o grande público e os profissionais em geral sobre a urgente necessidade de superar as anomalias da normalidade: opiniões, atitudes, comportamentos e hábitos, dotados de consenso social e patogênicos, em diversos graus de intensidade. Este é um dos conceitos mais importantes do paradigma transdisciplinar emergente !!

A Normose nos impede de sermos quem realmente somos. O consenso e a conformidade impedem o encaminhamento do desejo no nosso interior. Tornar-se uma pessoa é um caminho. Por intermédio de cada um, o desejo continua sua rota. Trata-se de ir ao encontro da identidade transpessoal. Não basta ser apenas eu, um ego. Através das experiências do luminoso, descobrimos que existe algo maior do que nós. Mas, temos medo de enlouquecer, de perder o ego, de perder o que foi construído no ambiente das relações parentais, familiares e sociais. O que temos a perder são as ilusões: as imagens de Deus, as imagens de nós mesmos, as imagens que construímos do que seria um homem ou uma mulher bem-adaptada. A realidade, em si, é impossível de ser perdida. O normal de cada um é ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros.
Deveríamos viver de forma mais íntegra, autêntica, simples e sincera. Pois, seriamos bem mais felizes.
Mas, e você, se considera uma pessoa “NORMAL”?
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